Um estudo publicado em 2018, no periódico científico World Neurosurgery, revelou uma intrigante descoberta arqueológica na Itália, lançando luz sobre as práticas médicas do passado: o esqueleto de uma grávida medieval que deu à luz após sua morte, provavelmente entre os séculos VII e VIII.
O bebê foi expelido sem vida; suas pernas ainda estavam dentro do corpo da mãe, mas sua cabeça e parte superior haviam caído abaixo da cavidade pélvica.
A análise do comprimento dos ossos de sua coxa indica que o feto estava prestes a nascer, tendo alcançado 38 semanas (o equivalente a 8,7 meses) quando o cadáver da gestante foi enterrado.
Raro, o fenômeno conhecido como "parto post mortem" ocorre devido ao acúmulo de gases no corpo da grávida, levando à expulsão do feto.
Também chamou atenção o crânio da mulher, que apresentava sinais de uma cirurgia craniana medieval chamada "trepanação". A natureza da ferida sugere origem cirúrgica, em vez de um impacto violento, por exemplo.
Supõe-se que ela pode ter enfrentado complicações em razão da eclampsia, condição que acomete gestantes e provoca pressão arterial elevada, febre e dor de cabeça, além de poder gerar convulsões.
A tentativa de tratamento através da cirurgia, no entanto, não foi bem-sucedida, e a moça, que tinha de 25 a 30 anos, faleceu em torno de uma semana depois.
Fonte/Créditos: Com informações de Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins / Aventuras na História, e Natasha Romanzoti / Hypescience
Créditos (Imagem de capa): Divulgação / World Surgery