Em um terreno rural no condado de Pasco, na Flórida, uma instalação vem transformando o estudo da decomposição humana: a "fazenda de cadáveres" do Instituto de Antropologia Forense da Universidade do Sul da Flórida.
Inaugurado em outubro de 2017, o espaço cobre pouco mais de um hectare e abriga corpos humanos que são deixados expostos em diferentes condições, para o estudo da variação da decomposição de acordo com o ambiente. Alguns deles, a fim de evitar a ação de predadores, são protegidos por gaiolas; outros estão totalmente ao ar livre, permitindo que a fauna local desempenhe seu papel.

Erin Kimmerle, diretora do instituto, explicou à BBC que a pesquisa busca entender as quatro fases principais da decomposição: corpo fresco, decomposição inicial, decomposição avançada e esqueletização. Esses estágios são analisados para melhorar a precisão na estimativa do tempo de morte e na identificação de pessoas.
Os cadáveres que compõem a fazenda são de indivíduos que decidiram doar voluntariamente seus corpos para a ciência. Há ainda casos de parentes que doam à perícia os corpos dos falecidos. Da abertura da instalação a junho de 2019, foram recebidos 50, e a lista de pré-doadores chegava a 180.
Embora o trabalho possa parecer macabro, é fundamental para a ciência forense. Existem críticas, no entanto, quanto à eficácia dos estudos. Alguns especialistas argumentam que as variáveis incontroláveis nos ambientes externos podem dificultar a interpretação dos dados. Apesar disso, Erin Kimmerle e sua equipe acreditam que o conhecimento produzido é importante para o avanço das pesquisas e para a resolução de casos criminais.

Instalações semelhantes são mantidas também em outras partes dos Estados Unidos, e em países como Austrália e Canadá.
Fonte/Créditos: Carlos Serrano / BBC News Mundo
Créditos (Imagem de capa): Florida Institute for Forensic Anthropology and Applied Science (IFAAS/USF)