A Câmara Municipal de São João da Boa Vista, cidade localizada no interior de São Paulo, foi palco de uma grave denúncia sobre um suposto esquema de cartel envolvendo coveiros e ex-funcionários do Cemitério Municipal. O caso, revelado pelo coordenador do cemitério, Danilo Galhardo, está sob investigação do Ministério Público desde 2021. O portal Vim te Mostrar teve acesso à informações por eio do jornal O Município.
Durante sua exposição na Tribuna Livre da Câmara Municipal da Cidade, Danilo Galhardo relatou ter encontrado diversas irregularidades ao assumir suas funções. Ele tentou instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na época, mas sem sucesso. Determinado a buscar justiça, Galhardo reuniu documentos que foram enviados ao Ministério Público, desencadeando a investigação agora em curso.
De acordo com o coordenador do cemitério, coveiros abordavam famílias durante os preparativos para enterros, sugerindo reparos urgentes nas sepulturas e oferecendo seus serviços. "Era proibido a pessoa trazer, nem que fosse um parente dela, para construir a sepultura. Por quê? Os construtores eram os coveiros!", afirmou Galhardo. Ele revelou que três coveiros estariam envolvidos, incluindo a abertura de empresas em nome de suas esposas para legitimar os serviços. Materiais da prefeitura teriam sido utilizados nas reformas, com participação de um chefe do setor administrativo.
O vereador Júnior da Van (Podemos) reforçou a denúncia ao relatar ter sido obrigado a contratar serviços de um pedreiro ligado ao ex-administrador do cemitério ao adquirir um terreno em 2019. Danilo apontou irregularidades nos recibos emitidos, com valores desviados dos cofres públicos. "Uma parte desse valor não caiu nos cofres da prefeitura", destacou, mencionando cerca de 1.000 casos semelhantes.
Danilo Galhardo: “Era proibido a pessoa trazer, nem que fosse um parente dela, para construir a sepultura. Por quê? Os construtores eram os coveiros” (Divulgação/Câmara Municipal)
As denúncias já resultaram na cassação da aposentadoria de um ex-administrador do cemitério. No dia 8 de novembro, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de São João da Boa Vista publicou a Portaria nº 46/2024 suspendendo o benefício, após processo administrativo que apurou a conduta do beneficiário.
Sem lugar para os ossos
Outra grave denúncia de Danilo Galhardo foi a falta de um ossuário na necrópole, levando ao armazenamento inadequado e até descarte ilegal de ossadas. "Até 2021, para onde eram levados os ossos?", indagou, revelando que restos mortais já foram descartados no lixão.
O presidente da Câmara Municipal de São João da Boa Vista, Carlos Gomes (PL), assegurou que as denúncias serão formalmente levadas ao Ministério Público, enfatizando a gravidade dos desvios financeiros no serviço público. "Isso é muito sério e dá cadeia!", concluiu, reforçando a urgência de ações por parte das autoridades competentes.
Fonte/Créditos: Com informações de O Município
Créditos (Imagem de capa): Prefeitura Municipal de São João da Boa Vista