Vim te Mostrar

MENU

Notícias / Notícias curiosas

A jornada do corpo após a morte

Da autólise à esqueletização: conheça os processos e fatores que influenciam a decomposição do corpo humano

A jornada do corpo após a morte
A-
A+
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Fins e começos. Encerradas as funções vitais de um ser humano, seu corpo embarca em uma série de processos que o transformam e levam à decomposição total. Esse fenômeno é resultado de uma combinação de fatores internos e externos — como o clima, a presença de gordura corporal, lesões abertas, sepse ou infecção, e a localização do cadáver —, que atuam desde os primeiros minutos após o falecimento até a esqueletização.

Alterações imediatas - As primeiras mudanças depois do óbito estão ligadas à interrupção definitiva das funções vitais no cérebro, coração e pulmões. Nesse estágio, a sensibilidade, a respiração, a circulação sanguínea e as funções do sistema nervoso cessam. O corpo começa a esfriar — processo conhecido como algor mortis — à medida que a produção de calor interno termina, e os músculos passam por um relaxamento seguido de rigidez — chamada de rigor mortis —, que se inicia entre uma e duas horas após a morte, e desaparece em torno de 36 horas.

Leia Também:

Simultaneamente, ocorre o livor mortis, caracterizado pelo acúmulo de sangue nas partes mais baixas do corpo em razão da gravidade, resultando em manchas arroxeadas e azuladas. Essas alterações dão aos peritos médicos pistas sobre o tempo decorrido desde o falecimento.

Estágios da decomposição - A autólise tem início aproximadamente na primeira hora após o óbito e dura de nove a 12 horas. Com a ação das enzimas internas, as células do corpo começam a se autodigerir.

Na sequência, entre 12 e 24 horas depois da morte, principia a putrefação. As bactérias intestinais vão digerindo os tecidos do cadáver, o que resulta em inchaço abdominal, esverdeamento da pele e aparecimento de um cheiro forte. Atraídos pelo odor, insetos iniciam a colonização do corpo, depositando ovos que darão origem a larvas. São elas que, ao se alimentarem do tecido em decomposição, aceleram o processo de degradação. Posteriormente, a escassez de nutrientes marca a chegada da fase de fermentação butírica, com a produção de compostos que intensificam o odor desagradável e com a alteração da aparência humana.

Em meses ou anos, a depender das condições ambientais, o cadáver atinge, por fim, a etapa de esqueletização. Apenas os ossos e alguns pedaços de couro desidratado permanecem. A decomposição se encerra quando o corpo é reduzido a seus elementos mais básicos.

Variabilidade - Fatores externos influenciam a velocidade e a forma como as transformações acontecem. Em climas quentes e úmidos, o processo de decomposição é acelerado; já ambientes secos e áridos podem resultar em mumificação.

Por outro lado, em ambientes úmidos, é possível que a gordura corporal se transforme em uma substância cerosa, a adipocera, capaz de retardar a decomposição. Esse fenômeno é conhecido como saponificação.

Idade, sexo, composição corporal, causa da morte e outras especificidades também condicionam a rapidez e a forma de decomposição. Crianças, idosos, pessoas com menos massa muscular ou com feridas abertas, por exemplo, tendem a se decompor de modo diferente.

Estimando o tempo da morte - Os profissionais da medicina forense utilizam os sinais físicos para estimar o momento em que uma pessoa faleceu. A rigidez cadavérica, que segue um padrão de desenvolvimento e dissipação, é uma das principais indicações temporais; a lividez cadavérica sugere que a morte ocorreu pelo menos 12 horas atrás; já a temperatura corporal, que cai gradualmente, entre 1°C e 1,5°C por hora, até se igualar à do ambiente, funciona como um cronômetro natural.

 

 

 

Fonte/Créditos: Com informações de Central Cemitérios, National Geographic Brasil e Gabriela Maraccini / CNN

Créditos (Imagem de capa): Getty Images

Thaís Milena - Estagiária do Grupo Balo sob a supervisão de Heberton Lopes

Publicado por:

Thaís Milena - Estagiária do Grupo Balo sob a supervisão de Heberton Lopes

Saiba Mais