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Venezuela ergue tapumes para esconder corpos enquanto OMS alerta para risco de epidemia

Com envio de 10 mil sacos cadavéricos pela ONU e colapso total das morgues, país enfrenta cenário sanitário comparável ao desastre do Haiti em 2010

Venezuela ergue tapumes para esconder corpos enquanto OMS alerta para risco de epidemia
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O governo venezuelano iniciou uma operação de isolamento visual no Porto de La Guaira. Diante da viralização de imagens que chocaram o mundo, autoridades locais instalaram tapumes e vallas metálicas para cercar o perímetro, impedindo que o acúmulo de cadáveres seja filmado. Entretanto, a tentativa de censura esbarra na realidade das ruas: caminhões carregados de corpos circulam sem interrupção, expondo uma tragédia que os muros não conseguem conter.

A onipresença da morte forçou a população a um convívio perigoso. Sem serviços funerários, dezenas de corpos permanecem sob escombros ou em calçadas, levando civis a manipularem os cadáveres sem proteção. Esse contato direto acende um alerta vermelho para a biossegurança, já que a decomposição acelerada pelo calor de 32°C facilita a proliferação de doenças.

A Associação Profissional da Indústria Funerária anunciou a doação de 500 urnas e uma tarifa social de US$ 150 para cremações — uma redução drástica frente aos US$ 1.500 habituais. Apesar disso, o setor admite que a demanda é avassaladora. Em Genebra, a OMS confirmou que 38 hospitais foram afetados e as morgues (necrotérios e locais de guarda de corpos) entraram em colapso total.

O Alerta da OMS e o Fantasma do Haiti

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, adverte que o risco de epidemias de sarampo, difteria, dengue e malária é iminente. O cenário remete ao terremoto do Haiti em 2010, onde a gestão inadequada dos mortos desencadeou uma epidemia de cólera que matou milhares de sobreviventes. Para conter a crise, a ONU enviou 10.000 sacos cadavéricos, indicando que o número real de vítimas pode ser muito superior ao oficial.

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